Procurando o Bode Espiatório

Acusar alguém ou alguma coisa pelos nossos problemas é quase tão velho quanto a civilização – e ainda é uma prática bastante atual. Quando Adão comeu o fruto proibido, ele apontou logo para Eva. “A mulher que você colocou aqui comigo me fez fazer isto”, ele disse.
 
Há uma velha história do tempo em que o imperador Frederico, o Grande, visitou a Prisão de Potsdam. Ele falou com os prisioneiros, e todos os homens afirmaram que eram inocentes, que eram vítimas do sistema.
 
O Imperador decidiu perguntar a cada um daqueles homens o que havia feito para estar reduzido àquela humilhante condição. O primeiro homem contou que fora condenado porque um juiz corrupto aceitara suborno de seus inimigos e o condenara injustamente. O segundo prisioneiro disse que seus inimigos haviam subornado testemunhas que depuseram contra ele e assim, apesar de ser inocente, fora condenado. O terceiro contou que tinha sido traído pelo seu melhor amigo, o qual, depois de preso e condenado, livrou-se da prisão.
 
Até que um dos prisioneiros mudou de tom na resposta, quando o imperador se aproximou.
– E o senhor, a quem culpa pela sua sentença? Perguntou o governante.
– Sua majestade, respondeu ele, sou culpado e mereço plenamente a punição.
 
Surpreso, o imperador gritou para o administrador da prisão.
– Venha logo e tire este homem daqui antes que corrompa toda essa gente inocente.
 
E assim foi feito. O prisioneiro que assumiu sua culpa e confessou seu crime foi solto e perdoado, enquanto os demais, que não faziam senão inventar justificativas e desculpas para si próprios, continuaram presos.
 
Ninguém quer assumir a responsabilidade por suas ações, decisões, situações ou circunstâncias. Nós culpamos os outros por nossas situações difíceis. Mais do que nunca, somos hoje peritos em culpar o passado por nosso presente. Somos peritos em culpar nossos pais por nossos hábitos. Somos especialistas em culpar nossos professores por nossa ignorância.
 
(…)
 
Pessoas de todas as posições sociais e de todas as etnias caem nessa armadilha: culpar o outro. (…) Cometemos algum erro e passamos o resto da vida cuidando apenas de nos justificar, quando a única atitude realmente proveitosa seria assumir que simplesmente, num momento de desespero, fizemos o que preferíamos (hoje!) não ter feito. Ou culpamos alguém que raramente tem algo a ver com o nosso erro. Ou culpamos as circunstâncias, quando o mais simples seria assumir: “bem que eu mereço!”
 
Nós não podemos mudar o passado, mas podemos determinar a qualidade de nosso futuro. Assuma plena responsabilidade pelo passado, presente e futuro.

por Daniel Carvalho Luz

Beijos da Che

 

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